Projetos de Pesquisa

Produção de Sentido nas Mídias

Estuda a produção de sentido nas diversas mídias, as expressões de linguagem de que se revestem, avalia a capacidade de articulação de afetos, assim como dimensiona o alcance e os modos de circulação de mensagens nos ambientes comunicacionais.

Analisa as dinâmicas do mito e do imaginário na construção de narrativas nos meios de comunicação, em suas formas e materialidades, como textos, som e imagem e a mobilidade interacional colocada em funcionamento pelas enunciações midiáticas. Investiga discursos e representações simbólicas na práxis comunicacional.

Bilderatlas Brasil Verde-Amarelo: imagem, sentidos e afetos na constituição de uma estética patriótica no governo Bolsonaro

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Alberto Carlos Augusto Klein

A reconstituição de trajetos das imagens, seus rastros, pistas, memórias e afetos, impõe-se como o grande desafio desta pesquisa, que busca se debruçar sobre a produção visual no contexto do Governo Jair Bolsonaro, incluindo os períodos eleitorais de 2018 e 2022.

Esta produção escoa-se, sobretudo, em redes sociais como Twitter (atualmente X), Instagram, Facebook e Youtube, reiterando uma estética, que se pretende patriótica, na tentativa de mobilizar, conforme observações preliminares, afetos em camadas da população, com o duplo objetivo de 1) mitificar a figura política de Jair Bolsonaro, projetando-o como messias, e 2) demonizar a esquerda, associada, em grupos bolsonaristas, ao “comunismo” e valores que corroem a ideia de família tradicional.

Para tanto, valho-me das incursões warburguianas na abordagem das imagens, tanto em suas possibilidades de ressurgências (Nachleben), rememorando temas arcaicos ou de outras temporalidades, quanto em sua potência de condensar afetos como fórmulas visuais (Pathosformeln), que, de igual modo, rememoram e reavivam imagens de outros ambientes culturais.

Como método de pesquisa, recorro à montagem de pranchas, com colagem de imagens, a fim de averiguar possibilidades de memórias e afetos, de modo semelhante ao de Aby Warburg em seu Bilderatlas Mnemosyne.

É necessário dizer que a investigação do pensador hamburguês nunca se colocou rigorosamente dentro de molduras acadêmicas e nem mesmo sua ideia de montagem pretendia-se como método.

Contudo, ultimamente, é nítida a revitalização do pensamento warburguiano no âmbito das disciplinas acadêmicas de teorias da imagem, bem como a tentativa, com o risco natural de quem mergulha no oceano escuro das imagens, de incorporar o atlas como metodologia.

O imaginário mágico das propagandas de tecnologia: uma análise mitocrítica da tecnocracia no século XXI

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André Azevedo da Fonseca

A cultura de mídia do século XXI tem sido marcada pela emergência de um imaginário que sugere propriedades mágicas às tecnologias.

Contudo, sob o brilho desse encantamento, o estado e as corporações desenvolveram sistemas de invasão de privacidade para fins de coleta intensiva de dados pessoais de cidadãos e consumidores.

O objetivo desta pesquisa é identificar e analisar os símbolos arquetípicos e as narrativas de caráter mítico empregadas em propagandas de grandes empresas de tecnologia para intensificar a fidelização, a devoção e o fascínio dos usuários por produtos e serviços.

Os métodos empregados serão a pesquisa bibliográfica e a análise documental, sob a perspectiva dos estudos de mitocrítica.

O corpus é constituído por um conjunto de imagens e vídeos publicitários e institucionais de empresas de tecnologia. Ao buscar compreender os discursos que intensificam o fascínio dos usuários pelos seus dispositivos tecnológicos, a pesquisa contribui no campo da educação para as mídias.

Organização e Representação de Identidades e Conhecimentos Sociais como construções simbólicas pela abordagem semiótica

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Pedro Henrique Cremonez Rosa

O projeto investiga a construção e negociação das identidades sociais através de performances simbólicas nas interações cotidianas.

Utilizando uma abordagem semiótica, a pesquisa decodifica os signos e significados que emergem dessas representações sociais, analisando como os indivíduos utilizam símbolos, linguagem e gestos para moldar suas identidades perante os outros.

Além disso, (o estudo) examina as implicações comunicativas desses processos, explorando como essas dinâmicas influenciam as relações sociais e a percepção coletiva.

Também se aprofunda na organização da representação do conhecimento, avaliando como essas performances e signos são sistematizados e entendidos na construção e transmissão de conhecimento social e cultural.

Linguagem imagética para articulação de sentido de objetos pedagógicos com design thinking, inovação e tecnologia

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Rosane Fon­seca de F. Martins

Miguel Luiz Contani

O projeto investiga a articulação de sentido e significado da linguagem imagética de objetos pedagógicos em diversos suportes (jogos digitais e impressos, livros didáticos, livros literários, livros objetos, formas tridimensionais de apoio/impressão 3D, apostilas, manuais, cartilhas, brinquedos, animações e outras formas criativas e divertidas), a fim de estimular o aprendizado de crianças e adolescentes como reforço de aprendizagem, bem como auxiliar e motivar professores neste processo.

A metodologia é de natureza exploratória, qualitativa e descritiva, delineamento de dados primários (bibliografia) e secundários (análise de similares).

Toda a criação será conduzida pelo processo de design thinking.

Os objetos com foco educacional serão criados em conjunto com os departamentos de design, comunicação, psicologia, educação e computação, e analisados junto ao público em investigações diversas (levantamento, estudos de caso e estudos de campo) sobre forma e conteúdo e suas formas de articulação de sentido.

Aprender com brilho no olho: linguagem imagética para articulação de sentido de objetos pedagógicos com design thinking, inovação e tecnologia

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Rosane Fon­seca de F. Martins

O projeto investiga a articulação de sentido e significado da linguagem imagética de objetos pedagógicos em diversos suportes (jogos digitais e impressos, livros didáticos, livros literários, livros objetos, formas tridimensionais de apoio/impressão 3D, apostilas, manuais, cartilhas, brinquedos, animações e outras formas criativas e divertidas) a fim de estimular o aprendizado de crianças e adolescentes como reforço de aprendizagem, bem como auxiliar e motivar professores neste processo.

A metodologia é de natureza exploratória, qualitativa e descritiva, delineamento de dados primários e secundários.

Toda a criação é conduzida pelo processo de design thinking.

Os objetos com foco educacional são criados em conjunto com os departamentos de design, comunicação, psicologia, educação e computação, e analisados junto ao público em investigações diversas (levantamento, estudos de caso e estudos de campo) sobre forma e conteúdo e suas formas de articulação de sentido.

Espera-se minimizar a falta de sintonia entre a linguagem imagética e tecnológica às quais as novas gerações têm acesso no cotidiano fora da escola e o material didático de ensino tradicional, motivando-as a aprender com brilho no olho.

Cinema modernista em Stanley Cavell: a presenticidade, o novo sentido de sublime e a declaração do silêncio na imagem fílmica

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Andrea Cachel

A pesquisa investiga os limites entre cinema clássico e moderno, do ponto de vista da ambivalência entre a manutenção da quarta parede, enquanto princípio básico do cinema, e a ação modernista de revelar o estilo do diretor da obra.

Em especial, discute-se, através de uma pesquisa da análise do filósofo Stanley Cavell sobre a declaração do silêncio no cinema sonoro, como é possível que um filme não clássico explicite sua linguagem e, ao mesmo tempo, mantenha a possibilidade intersubjetiva de se conectar com o mundo.

Ou seja, no caso da questão do silêncio, se o cinema moderno permite que a inteligibilidade imediata das imagens se sobreponha aos discursos que se estabelecem sobre elas. Procura-se, assim, analisar em que medida o cinema pode ser considerado uma arte modernista, sem perder aquilo que é essencial nessa linguagem.

Cotejando a ontologia do cinema de Cavell e a obra de Clement Greenberg, pondera-se se a declaração do meio do filme, enquanto marco do Modernismo, permite que se mantenha a objetividade essencial do cinema, como signo do seu atrelamento à tradição antiteatral, iniciada ainda no âmbito do teatro por Diderot. Investiga-se também como Cavell, em interlocução com a obra de Michael Fried, opõe-se à visão a-histórica de Greenberg e à sua definição meramente formal de Modernismo.

Examina-se, nesse contexto, também com base no diálogo entre a leitura cavelliana e a de Fried, como a arte modernista envolve a passagem de uma estética da presença para a da presenticidade, pensando as implicações dessa modificação na percepção do espaço e do tempo nos filmes.

Ademais, argumenta-se que, na perspectiva da problematização cavelliana sobre os atrelamentos entre a origem do cinema e a formação da subjetividade moderna, um cinema modernista envolve uma reconfiguracão da ideia de sublime e da nossa experiência do extraordinário no ordinário.

Alfabetização midiática para combater a desinformação

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Fábio Alves Silveira

O enfrentamento do fenômeno conhecido pelo anglicismo fake news é uma das principais questões do nosso tempo.Esse novo formato de desinformação, que ganhou corpo e escala num cenário marcado pelo crescimento das redes sociais e enfraquecimento das mídias tradicionais, produz efeitos deletérios para o debate público e coloca em risco as democracias.

As notícias falsas têm sido usadas nos últimos anos como parte da estratégia de disputa política – particularmente por grupos de extrema-direita – e para a difusão de teses anticientíficas, como no caso dos grupos negacionistas que combatem as vacinas e que ganharam visibilidade durante a pandemia de Covid-19.

O que diferencia o fenômeno que hoje conhecemos como fake news das formas anteriores de divulgação de notícias falsas é o ambiente digital e as plataformas de redes sociais online, que possibilitaram o aumento da quantidade de emissores, além de outras características como a tentativa de encobrir a autoria.

Outra questão importante a ser levada em conta nesta discussão é a velocidade com que as notícias falsas se espalham e o volume desses conteúdos, que ganharam escalas inéditas, o que dificulta o enfrentamento deste problema. O fenômeno das fake news é parte de um contexto mais amplo, abarcado pelo conceito de desinformação, que consiste em diversas formas deliberadas ou não, de se produzir e circular informação incompleta, imprecisa ou mentirosa com o objetivo de enganar. Sob o ‘guarda-chuva’ da desinformação, além das fake news, que são o objeto de estudo deste projeto, está abrigada a pós-verdade, que é a perda de importância dos fatos frente as crenças e opiniões. A desinformação e seus sub-produtos ganham força em um cenário de crise de credibilidade das autoridades cognitivas modernas, como a imprensa, a ciência e o Estado de Direito, uma crise que se alimenta da percepção de que essas instituições se afastam do interesse público e se subordinam cada vez mais a interesses corporativos.

Estudar esses fenômenos é fundamental para combater a desinformação e seus efeitos deletérios. Esse combate pode ser feito em várias frentes. Uma delas tem sido o trabalho das agências de checagem, que fazem diariamente a apuração das notícias falsas que circulam pela internet afora. Embora relevante e fundamental no combate à desinformação, o trabalho das agências de checagem não é suficiente para dar conta do desafio de restabelecer a verdade factual. Daí a importância de extrapolar o campo jornalístico e trabalhar com a educação, para que os cidadãos possam ter uma formação que lhes permita lidar sozinhos com a desinformação, podendo diferenciar o que é fato e o que não é.

Nesse sentido a educação tem um papel fundamental e a Universidade, estabelecendo uma interação dialógica, numa ação de mão-dupla junto a escolas de ensino médio, pode dar uma grande colaboração, vinculando ensino, pesquisa e extensão, como forma de colaborar com a formação de cidadãos que possam fazer uma leitura crítica das fontes a partir das quais se informam.

A abordagem do projeto tem como público alvo alunos do segundo e do terceiro ano do ensino médio, permitindo o contato com uma geração que é nativa digital. Esse contato possibilita buscar a compreensão sobre a forma como esses adolescentes lidam e as fontes nas quais eles buscam informação. Compreendemos que combater a desinformação não é tarefa exclusiva do campo jornalístico e que a superação desse mal do nosso tempo só é possível com o envolvimento da sociedade.